ORLANDO FAGNANI

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ORLANDO FAGNANI

Natural de Campinas (SP), cidade onde também veio a falecer, Orlando Fagnani (28 de setembro de 1922 - 01 de abril de 1977) foi um pianista, organista autodidata e compositor brasileiro. Viveu 55 anos, com uma vida dedicada à música desde a infância. Iniciando seus estudos aos sete anos de idade, Orlando teve seus primeiros 5 anos de formação musical em Campinas, primeiro com Helena Dini, depois com Ichel Berkowitz, professor formado pelo Conservatório de Leipizig, na Alemanha, e radicado em Campinas. 

Na adolescência, Orlando muda-se para São Paulo, onde dá sequência à sua formação com outras referências brasileiras e estrangeiras: José Kliass, um dos mais importantes professores de piano da época e que havia estudado com Martin Krause, discípulo de Franz Liszt; Agostinho Cantú, maestro italiano radicado no Brasil e professor do Conservatório Dramático e Musical de São Paulo; o célebre maestro e compositor João Sépe, com quem Orlando estudou harmonia, contraponto e composição; o regente, organista e compositor italiano, professor do Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, Furio Franceschini, responsável por incentivar Fagnani a estudar órgão, além de estudos complementares de História da Música com o icônico Mário de Andrade, em São Paulo, e um curso sobre a obra do compositor Debussy, com o célebre pianista franco-alemão Walter Gieseking, em Buenos Aires.

Seu primeiro recital formal, com 14 anos de idade, aconteceu no Clube Semanal de Cultura Artística, em Campinas. No programa: Sonata em dó maior de D. Scarlatti, A Fiandeira de Mendelssohn, Estudo no 12 op. 25, Valsa póstuma e Mazurka de Chopin, Dança de Negros de Fructuoso Vianna e Dança Ritual do Fogo de Manuel de Falla.Teve seu primeiro reconhecimento público em 1941, aos 19 anos, quando foi laureado com distinção e louvor pelo Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, constando no programa de exame 22 prelúdios e fugas de J. S. Bach, 4 sonatas de Beethoven e 6 estudos de Chopin e Liszt. Curiosamente, por haver esquecido a partitura de música moderna, Fagnani improvisou uma composição, anunciando uma trajetória de compositor que se firmaria cerca de 5 anos depois, quando escreve suas primeiras composições, destacando-se a Barcarola de sentimento idílico e romântico, posteriormente incluída na sua Cantata de Natal. 

Além de realizar recitais em várias cidades do interior paulista e nas principais capitais brasileiras, teve também carreira internacional, que começou entre fim de 1949 e início de 1950, com uma “tournée" pelos países da América do Sul, em missão cultural do Governo Paulista. Realizou recitais em Montevidéu (Uruguai), no Teatro Solís; e em Buenos Aires (Argentina), em recital promovido pela Associação Argentina de Compositores, recebendo crítica com altos elogios de Nicolas J. Lamuraglia, na Rádio El Mundo em Buenos Aires (Argentina). Ainda na capital argentina, apresentou-se com um programa de música brasileira (Camargo Guarnieri, Fructuoso Vianna e Villa-Lobos), no Teatro Odeon; e com um programa de compositores sul-americanos recebendo crítica com altos elogios de Túlio Carrera, em Santiago (Chile), na Sala de Concertos do Conservatório Nacional. Em 1961, realizou uma "tournée" pela América do Norte, com recitais nos Estados Unidos, em Miami, New York e Chicago, e também no Canadá, em Toronto e Montreal, onde também frequentou um curso de órgão eletrônico.

No cenário internacional, foi reconhecido por prêmios, homenagens e elogios públicos. Durante sua permanência, com recitais, na Argentina, foi homenageado pela Associação da Ópera Wagneriana. Também foi elogiado pelo Prof. Luigi Petracci, Diretor do Conservatório Santa Cecília de Roma (Itália); pelo musicólogo Francisco Curt Lange, Diretor do Instituto de Musicologia de Montevidéu (Uruguai); e citado por Letícia Pagano, no Dicionário Bio-Bibliográfico de Músicos.

Durante vários anos, Fagnani formou um Duo com a aclamada cantora lírica, radicada em Campinas, Niza de Castro Tank. Apresentaram-se em mais de cinquenta recitais por várias cidades brasileiras, culminando em uma apresentação em Brasília, no dia 26 de abril de 1976, no Teatro Nacional, Sala Martins Pena, por ocasião do 16° aniversário de fundação da capital do Brasil.  

Exerceu, por  mais de 20 anos, até sua morte (1954-1977), o cargo de professor de piano e órgão do Conservatório Musical Carlos Gomes, onde nutriu uma parceria artística com Léa Ziggiatti Monteiro, pedagoga, flautista, jornalista e advogada que assumiu a direção do Conservatório a partir de 1961, passando a incentivá-lo para compôr também peças mais voltadas para o jovem e a criança. Com composição dele e letra dela, foram criados o Hino dos Cursos Infantis da instituição, A Cantata da Primavera e a Cantata de Natal. Com um vasto repertório de composições - muitas ainda a serem descobertas em coleções particulares e acervos diversos -, destacam-se as obras:

 

- Prelúdio no 3 (piano - Editora Irmãos Vitale) 

- Prelúdio no 4 (piano - Editora Irmãos Vitale) 

- Mini-Prelúdio n° 1 (piano - Editora Irmãos Vitale) 

- Mini-Prelúdio n° 2 (piano) 

- Ponteio (piano - Editora Irmãos Vitale) 

- Homenagem a Ernesto Nazareth (piano - Editora Irmãos Vitale) 

- Valsa Romântica (Seresteira - piano - Editora Irmãos Vitale) 

- Sonata Fantasia (piano) - somente gravação 

- Três Miniaturas (piano)

- Canção para Ninar Valsa Interrompida Polca 

- Cantilena (piano – infantil) 

- Ponteio (flauta transversal e piano) 

- Sonatina (flauta transversal e piano)

- Insistência (Violão - Editora Ricordi)

-Crepúsculo (violino e piano) - 

- Nasceu Jesus (soprano e piano) 

-Vento das Horas (soprano e piano)

- Cantata de Natal (coral de vozes infantis e conjunto de câmara) 

- Cantata da Primavera (coral de vozes infantis e orquestra de câmara)

- Rapsódia do Amor Maior (barítono e octeto)